segunda-feira, 24 de julho de 2017

Há um século (*)

Hilário Silva, Espírito
(*)Resumo da mensagem homônima constante do livro O Espírito da Verdade [FEB, 1961], psicografado por Chico Xavier.



Paris, numa fria manhã de abril de 1860, Allan kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, estava exausto. Apesar da consolidação da Sociedade Espírita de Paris e da promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam confiado. A pressão aumentava, cartas sarcásticas chegavam.
Quando se mostrava mais desalentado, a esposa, Madame Rivail, entrega-lhe uma encomenda. O professor abre o embrulho e encontra uma carta de um encadernador de livros. E lê: "Sr. Allan Kardec: Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso".
O autor da carta relatava que, desesperado após a morte de sua esposa, planejou suicidar-se. Certa madrugada, buscou uma ponte. Ao fixar a mão direita para atirar-se às águas tocou um objeto que se deslocou da amurada, caindo-lhe aos pés. Surpreendido, viu um livro. Procurando a luz que um poste, leu: "Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. - A. Laurent".
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de O Livro dos Espíritos ricamente encadernado. Na página do frontispício leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, ams também outra: "Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. Joseph Perrier".
Após a leitura, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro. Aconchegando o livro ao peito, raciocinava, em radiosa esperança: "Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas". O mundo necessitava de renovação e consolo. Allan Kardec levantou-se, abriu a janela à sua frente, respirou profundamente e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima.

O Espiritismo e o Movimento Espírita

Paulo de Tarso


Uma vez o médium Divaldo Franco, parafraseando Deolindo Amorim, disse que o movimento espírita está bastante movimentado. De fato, eis uma boa verdade. De um lado, revivemos aqueles perfis de detratores listados por Kardec em Obras Póstumas, quais eram: Os divertidos, que só se interessam pela alegria dos fenômenos; os parasitas, que se utilizam do movimento para ganhar fama e poder; os de contrabando, que estão na doutrina para insuflar as mais comezinhas pequenezas humanas, destilando insubordinação e conflitos nos agrupamentos aos quais pertencem e os discordantes do método, os quais ainda insistem em discordar dos métodos de Kardec e do resultado do seu trabalho, afirmando estarem em desacordo com a atualidade.Além destes, temos ainda os claudicantes, que desfalecem ante a não obtenção das graças desejadas de curto prazo e os abnegados e sinceros, os quais querem profundamente compreender mais do que serem compreendidos, firmar uma razão sobre os postulados históricos da doutrina, legada à humanidade como remédio às suas feridas existenciais. Todos estes perfis fazem o que se chama de movimento espírita.
A Doutrina Espírita, por sua vez, é um ente separado, que serve de referência para o movimento, sem emprestar-lhe qualquer relação de dependência. A falência de um movimento não enseja a falência da doutrina que lhe serve de modelo, visto que a mesma pode ser deturpada de inúmeras formas, pelos mais diversos motivos. Basta ver o que fizeram do Cristianismo para se ter uma pálida ideia do que somos capazes. Os fundamentos espíritas, bem como a ciência e a filosofia de ordem moral que lhes são consequentes, são legado para a humanidade e estarão vivos e atuais mesmo com o passar dos milênios. Se esta não é compreendida, vivida, experienciada, não é por falha sua, mas por falta de estudo, prática e estágio evolutivo dos seus profitentes.
Acabe o movimento espírita e a Doutrina dos Espíritos estará lá, viva e atual, pronta para ser compreendida e experimentada por quaisquer que sejam os povos e culturas. Ela é intercambiável nas religiões e agrupamentos étnico-sociais; ela é base de sustentação para outras correntes filosóficas e existenciais. Jamais será peça descartada por consequência da nossa indolência em compreendê-la na sua inteireza.
Se há relatos de agrupamentos humanos ditos espíritas em dissintonia com aquilo que era esperado da perfeita vivência do espiritismo, não se deve confundir estes atos com a doutrina. São apenas homens vivendo as suas imperfeições na ilusão de que a consequência pode ser maior do que a causa, o que seria uma imensa falta de lógica. A doutrina nos ensina a ter com estes a indulgência e, se por acaso formos as vítimas de tais circunstâncias, haverá sempre o recurso do perdão. Além disto, a percepção de que somos espíritos imortais, legatários da nossa própria ceifa, amplia as possibilidades de ressignificação dos problemas, abrindo um leque de outras opções de recomeço e acerto. O espiritismo não será o que fizermos dele, mas nós podemos ser aquilo que o espiritismo fizer de nós.

Salvador, 24/07/2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Terapias - curas simples por meios naturais

Orlando Campos



1 - Evangelhoterapia - Cura através da leitura do Evangelho, cujo hábito diário nos faz descobrir a bússola diretiva da nossa vida. A necessidade de aprender...

2 - Reformoterapia - Cura pela reforma íntima, talvez a mais simples e a mais importante de todas, pois requer um grande esforço pessoal de combate às negatividades, como o orgulho, o ódio, a ira, o ciúme, etc.

3 - Aeroterapia - Cura pela renovação do ar ou respiração, quando se processa a inspiração do oxigênio que, depois do mecanismo da transformação interna, é expelido em forma de gás carbônico, impróprio para o ser humano.

4 - Fisioterapia - Cura pelos exercícios físicos dos músculos, bem orientados para que no futuro não haja distensões musculares.

5 - Helioterapia - Cura pelos raios solares ou energia do sol, aplicada em hora certa, em todo o corpo ou partes determinadas. Cuidado com o câncer de pele!

6 - Geoterapia - Cura com as camadas de terra que contêm substâncias medicinais geralmente aplicadas em compressas ou fricções. Necessita de orientação abalizada.

7 - Cromoterapia - Cura pela energia das cores. Taiz energias precisam ser estudadas científica e espiritualmente para que sejam observadas suas aplicações.

8 - Musicoterapia - Cura pela música relaxante lenta ou menos lenta, de acordo com o estado emocional do paciente.

9 - Dançoterapia - Cura pela dança altamente relaxante, com movimentos corporais lentos ou não, conforme orientação.

10 - Hidroterapia - Cura pela força energética da água. Banhos térmicos, banhos normais, aplicação de gelo, saunas, etc.

11 - Hidroginástica - Combinação da hidroterapia com a ginástica, ou seja, ginástica dentro da água.

12 - Hidromassagem - Combinação da hidroterapia com massagem. Massagem dentro da água, com orientação segura.

13 - Hidrodançoterapia - Combinação da hidroterapia com a dança, ou seja, dança dentro da água. Balé aquático.

14 - Fluidoterapia - Aplicação dos passes magnéticos ou espirituais.

15 - Terapia do amor - Todas essas curas são frutos da maior de todas as curas, a Terapia do Amor, que nos impele para o bem.

16 - Autoterapias - São as curas de você para você mesmo, pela fé atuante.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Não morreram, partiram antes

Amado Nervo

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Choras teus mortos com tamanho desconsolo que, dir-se-ia, és imortal.
Not dead, but gone before, diz sabiamente o prolóquio inglês.
Não morreram, partiram antes.
Tua impaciência se move como loba faminta, ansiosa de devorar enigmas.
Pois não morrerás logo depois, e forçosamente não virás a saber a solução de todos os problemas que são de uma diáfana e deslumbrante sutilidade?
Partiram antes... Por que interrogá-los com nervosa insistência?
Deixa que eles sacudam o pó do caminho, que descansem no regaço do Pai e ali curem as feridas de seus pés andarilhos; deixa que ponham seus olhos nos verdes prados da paz...
O trem espera. Por que não preparar o bornal de viagem? Esta seria mais prática e eficaz tarefa.
Ver teus mortos é de tal modo premente e inevitável que não deves alterar com a menor ansiedade as poucas horas do teu repouso.
Eles, com um conceito total do tempo, cujas barreiras transpuseram de um salto, também te aguardam tranquilamente. Foi que simplesmente tomaram um dos trens anteriores.

A arte de cultivar virtudes


Neto ajuda o avô no plantio de árvores de fruto — Fotografia de Stock #90673368
Autor Desconhecido


Um avô e seu neto, caminhando pelo quintal, ora se agachando aqui, ora ali, em animada conversação, não é cena muito comum nos dias atuais.

O garoto, de quatro anos de idade, aprendia a cultivar e a cuidar das plantas com o exemplo do seu avô, que tinha tempo para o netinho sempre que este o visitava.

Era por isso que o pequeno Nícolas acariciava as mudinhas que havia plantado e dizia: "Quem planta colhe, né, vovô”?

Mas o avô não é habilidoso apenas no cultivo de plantas, é hábil também na arte de cultivar virtudes.

Entre uma conversa e outra, entre a carícia numa flor e uma erva daninha que arrancava, ele ia cultivando virtudes naquele coração infantil.

Ia ensinando que para obter frutos saborosos e flores perfumadas é preciso cuidado, dedicação, atenção e conhecimento.

E que, acima de tudo, é preciso semear, pois sem semeadura não há colheita.

O cuidado do pequeno Nícolas pelas plantas era fruto do ensinamento que recebeu desde pequenino, pois nem sempre foi assim.

Quando começou a engatinhar, suas mãozinhas eram ligeiras em arrancar tudo o que via pela frente, como qualquer bebê que quer conhecer o mundo pela raiz...

E, se não tivesse por perto alguém que lhe ensinasse a respeitar a natureza, talvez até hoje seu comportamento fosse o mesmo, como muitas crianças da sua idade ou até maiores.

Importante observar que as melhores e mais sólidas lições as crianças aprendem no dia-a-dia, com os exemplos que observam nos adultos.

É mais pela observação dos atos, do que pelos conselhos, que os pequenos vão formando seus caracteres.

Se a criança cresce em meio ao desleixo, ao descuido, às mentiras, ao desrespeito, vendo os adultos se agredindo mutuamente, ela aprenderá essas lições.

Assim, se temos a intenção de passar nobres ensinamentos a alguém, se faz necessário que prestemos muita atenção ao nosso modo de vida, às nossas ações diárias.

Como todo bom jardineiro, os educadores devem ser bons cultivadores de virtudes e valores.

Devem observar com cuidado as tendências dos filhos e procurar semear na alma infantil as sementes das quais surgem as virtudes, ao tempo em que as preservam das ervas daninhas, das pragas, da seca e das enchentes. Sem esquecer o adubo do amor.

A alma da criança que cresce sem esses cuidados básicos por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem.

E, de todas as ervas más, as mais perigosas são o orgulho e o egoísmo, pois são as que dão origem às demais.

Por isso a importância dos cuidados desde cedo. E para se ter êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistência, determinação.

O campo espiritual exige sempre o empenho do amor do jardineiro para que possa produzir bons resultados.

E o empenho do amor muitas vezes exige alta dose de renúncia e de coragem.

Coragem de renunciar aos próprios vícios para dar exemplos dignos de serem seguidos.

Os jardins da alma infantil são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas ações dos adultos.

Por essa razão vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente.

Pense nisso!

Para que você seja um bom cultivador de almas, é preciso que tenha em sua sementeira interior as mudinhas das virtudes.

Somente quem possui pode oferecer. Somente quem planta, pode colher.

Pense nisso, e seja um cultivador de virtudes.